PANDEMIA PROVOU QUE TETO DE GASTOS É INSUSTENTÁVEL, DIZ TEREZA CAMPELLO

Ex-ministra disse na Live do Valor que o governo atual está “arranjando um monte de gambiarras” para dizer que está mantendo o mecanismo
Por Leila Souza Lima, Valor — São Paulo
A economista Tereza Campello afirmou na Live do Valor desta quarta-feira que “a pandemia provou que o teto [de gastos] é insustentável. Questionada sobre a discussão em torno do impacto fiscal do programa Renda Cidadã — formulado para substituir o Bolsa Família na transferência de renda —, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e do Combate à Fome do governo Dilma Rousseff disse que o governo atual está “arranjando um monte de gambiarras” para dizer que está mantendo o teto.
Ao falar sobre o debate acerca do orçamento federal em 2021, ela disse que a Emenda Constitucional nº 95, que criou o teto de gastos, é uma “aberração” do ponto de vista de planejamento público e precisa ser revista.
“Você cria uma regra fiscal que congela gastos por 20 anos, independentemente se o Brasil vai crescer ou não, se o país está bem ou não. Independente se está industrializado ou se desindustrializando”, observou, para ponderar depois que pode haver regra, desde que com previsão de revisão segundo o cenário.
Na visão da ministra, alguns gastos não necessariamente devem caber no teto. “A fome das pessoas tem que caber no teto, é isso? Porque o lucro de muita gente não precisa caber no teto. Então nós temos uma sociedade completamente desigual e na hora de estabelecer regra, a regra é ‘coma a metade, ah, não, coma 25%’.”
“Que discussão fiscal é essa? Não se sustenta um debate deste. Um bando de rico dizendo que tem que privatizar, tirar dinheiro do funcionário público, para sustentar o Renda Cidadã”, criticou Tereza, que defende a reforma tributária solidária como caminho para se discutir a desigualdade no país.
A entrevista, conduzida pelo editor-executivo Cristiano Romero e pelo repórter Bruno Villas Bôas, pode ser assistida pelo site e pelos canais do Valor no YouTube, no LinkedIn e no Facebook.

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